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Bruno Maia fala sobre Braia, Tuatha de Danann e "o Mundo de Lá"

"É como um alerta ao Homem, à humanidade""É como um alerta ao Homem, à humanidade"
26 de Novembro de 2007

Já consagrado pelo seu trabalho no Tuatha de Danann, o cantor Bruno Maia deu partida em seu projeto solo, intitulado Braia.

Com uma mescla de música celta, brasileira e toques de rock, o músico lança o disco ...E o Mundo de Lá.

Através  da página no Palco Mp3, o músico já teve aproximadamente 1500 acessos em menos de uma semana e lá divulga as novidades do trabalho.

Veja o bate papo que Bruno Maia teve com o Cifra Club, onde seu novo projeto, Tuatha de Danann e seu trabalho foram abordados.

Cifra Club:   Como surgiu a proposta e a idéia de lançar seu projeto solo, o Braia?
Bruno: Surgiu normalmente, pois, sendo um artista, não posso refrear minhas idéias e composições. A música e cultura celta, principalmente da Irlanda, é meu fascínio há muito tempo; então foi natural eu criar essas músicas com essa forte influência, e também com as coisas daqui: música brasileira, principalmente a mineira e um pouco do rock progressivo.
Eu não poderia macular o Tuatha de Danann, com essa proposta, até porque o TDD é uma banda de metal, o Braia não. É em português, com mais incursões celtas, e mais light.
O som do Braia é uma coisa muito louca, do coração mesmo. Sou eu estampado, com a participação dos grandes músicos e amigos que contribuíram nessa obra.

Cifra Club:  A proposta de fazer músicas em português já estava certa desde o início das composições, ou o conceito foi sendo construído durante o processo de produção?
Bruno: Na verdade, tudo começou com duas músicas: Hamlá, e uma que eu não gravei que se chama Delirar. Ambas eram em português, e aí eu saquei que a mensagem minha, em língua materna, melhor transmitida.
Parece que tudo que vinha era mais verdadeiro... E por não ser rock, o português se encaixava perfeitamente. Mesmo com os acentos de várias músicas sendo meio “voltado”, ou pelo menos, fortemente inspiradas no gaélico, o português saiu legal. Mas não deixou de ser um desafio, pois: meu background (pelo menos a carreira) é o metal, e fazer música celta em português é meio que inédito. Foi louco!

Cifra Club: Como a viagem feita à Irlanda e ao norte da Europa ajudou na composição dos novos trabalhos do Braia? 
Bruno: Na verdade, as viagens em si não ajudaram nas composições. Até porquê eu já tinha tudo pronto. O legal foi que pude gravar lá, com os músicos que tocam nessa linguagem.... O que ajudou foram minhas viagens mentais desde moleque à Irlanda (risos)... Isso sim me inspirou.

Cifra Club: As letras do disco de estréia do Braia, ...E O Mundo De Lá, têm algum tema definido? Como foi o processo de composição?
Bruno: Tem sim um ponto central. É como um alerta ao Homem, à humanidade, que há muito perdeu seu contato, respeito e a crença nos espíritos da natureza.
Não me refiro aos romantizados, e há tempos banalizados, duendes, gnomos e fadas do folclore popular unicamente, e sim à mágica que há em torno de nós mesmos e de tudo que nos cerca. As coisas, meio que perderam o sentido hoje em dia; tudo é muito rápido. E essa perda, do contato e respeito com a natureza, a meu ver, tem sido um grande mal pro mundo.
Não estou falando de ecologia pura, pois hoje todos falam disso, todos sabemos que as árvores têm vida. Mas é um saber frio, muito racional, e meio que egoísta: querem preservar, só pra nos preservar.
Essa onda é mais mágica... Proponho, se assim posso dizer, uma maior atenção a esse “mundo de lá”, dos espíritos, elementais, e que se for o caso, chamem de fadas.
No CD tem muito disso: um ser do mundo de lá cantando ao homem os tempos em que rolava essa simbiose... Mas há exceções também: a música Bloom, por exemplo, é uma homenagem ao James Joyce.
Eu resolvi continuar o Ulisses pra ele. Os eruditos e literatos que me desculpem.
O processo de composição foi como sempre: só inspiração, sem transpiração; criei as músicas com tempo, bem natural e saiu do jeito que eu queria.

Cifra Club: Quanto tempo levou do início à conclusão do trabalho?
Bruno: Foram uns dois anos; pois tinha outros compromissos com o Tuatha de Danann, e gravei em lugares diferentes com convidados vários, etc.

Cifra Club: Você já tem previsão para o início da turnê do Braia?
Bruno: O CD saiu há duas semanas, então está muito novo ainda. Mas espero já poder cair na estrada e poder tocar esses sons pelo país inteiro...

Cifra Club: Como você pretende dividir a agenda entre o Braia e o Tuatha de Danann? Fazer show apresentando os sons dos dois projetos está nos seus planos?
Bruno: Seria mais complicado, até por que a configuração das duas bandas são bem diferentes. Mas não é impossível...

Cifra Club: Falando em Tuatha, a banda está preparando algum lançamento?
Bruno: Sim... Já estamos compondo e pretendemos gravar em janeiro o próximo álbum.

Uma amostra do primeiro disco solo de Bruno Maia pode ser conferida através da página do Palco Mp3 do Braia


Da redação, por Raquel Camargo

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